Criar ou Educar?

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Sabe aqueles pais que dizem que é fácil criar filhos?

Eu nunca disse e não digo, porque educo, não apenas crio.

Não desisti de dar mamadeira porque ele não tomou a primeira vez, nem a quarta, nem a décima.Hoje ele toma.
Não desisti de dar nenhuma fruta ou verdura porque ele não comeu a primeira vez, bem a segunda, nem a sexta. Hoje ele come.
Não desisti nem dos quatro meses que ele rejeitou o brócolis que eu sempre colocava no pratinho, ali do lado. Hoje ele come.
Não coloquei açúcar em nenhuma fruta para ele aprender a comer, porque aí é desistir muito rápido.
Não desisti de mostrar para ele o mar e a delícia da água porque ele achou estranho no começo e não queria entrar. Hoje ele adora.
Não desisti de pega-lo no colo toda vez que ele chorava porque eu sei que o acalmaria e que era exatamente aquilo que estava precisando.
Não desisti e não desisto. Cansa? Cansa muito, mas o resultado está na minha frente, autonomia do meu pitoco cada dia maior!

Crianças cheias de "vontades"são, geralmente, crianças que os pais desistiram cedo demais.

Crianças têm seu próprio tempo, sabia? E respeitar isso é tarefa árdua porque é completamente diferente do nosso tempo. Conecte-se com seu filho e eduque. É trabalhoso agora, as eu garanto , é extremamente valioso e recompensador. Nossa maior tarefa é apresentar o mundo a eles, e reapresentar, e reapresentar até que ele, em seu tempo e a sua maneira, conecte-se com o novo. 

A teoria do anti-colo e o tiro no pé



A teoria do anti-colo surgiu de uma sociedade com um modo de vida particular: Capitalista ao extremo, faminta por criar cabecinhas facilmente manipuláveis e fáceis de industrializar. Uma sociedade onde "ninguém precisa de ninguém", onde o isolamento é a melhor maneira de lidar com o mundo e os laços afetivos são frágeis: se as cabeças pensarem demais e se unirem, podem ir contra algo muito maior: o Poder daqueles que as comandam. Jogo de forças e a competição são constantes. Nada mais justo que uma teoria assim, correto? 

Já o colo continua sendo naturalmente usado em outras tantas sociedades, desde os primórdios do homem, sem causar problema algum à saúde. Pense nos índios, naquelas tribos africanas, pense em nós, nas crianças que conheces e que sempre tiveram colo: tá tudo bem, tudo tranquilo, coletividade, trocas, ajuda, autonomia rolando solta e em construção. Não existe problema algum em dar colo, fique tranquilo, tenho certeza disso. Pergunte aos psicólogos que conheces quantos pacientes estão em tratamento por excesso de colo e quantos pela falta dele, os números não metem. (confirmo)

O colo é parte do desenvolvimento humano, os bebês precisam da gente para conhecer o mundo. Eles precisam conhecer o aconchego para poder aconchegar e precisam aprender a acalmar para se acalmar. Eles precisam do contato corpora; para crescer porque isso faz parte do desenvolvimento da autonomia, segurança e do físico também. A autonomia é construída de fora para dentro e nós, pais, estamos na base dessa construção. 

Agora nunca esqueça que a maneira que você trata seu filho será a maneira que serás tratado por ele e, também, a maneira que ele tratará o mundo. As crianças aprendem rápido o que ensinamos. Um dia, talvez, você precise de seu filho e ele não estará lá, porque ele aprendeu que quando o outro precisa de ajuda, é melhor deixa-lo só. Você, então, estará sozinho e ele, provavelmente, também. Tiro no pé.

São dois caminhos e duas ideias, a escolha é nossa e a consequência também. Já ouviu a frase "colo de mãe/pai cura tudo"? Traduzindo: o colo nos fortalece e nos dá autonomia para enfrentar tudo na vida e sermos felizes com simplicidade. Assim sendo: Cura mesmo!

Hoje


Uma das melhores maneiras de cuidar do futuro dos nosso pitocos é cuidando do presente deles. Pule, brinque, corra, sue, dê colo, cheiro e muita atenção. Hoje é o dia mais importante!

Mamãe e o banheiro - Crônicas da vida real (parte 1)

Já nos últimos meses de gravidez, nossa história com os banheiros começa a ser diferente. As visitas são mais frequentes porque a vontade de fazer pipi é toda hora.
Até aí tudo bem, desde que tenha um banheiro por perto. A questão é depois que o bebê nasce, aí sim começa a loucura.

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A gente dá mama, coloca para arrotar, espera dormir e vai fazer aquele xixi que está batendo na porta desde a hora da mamada. Normalmente quando uma mãe senta na patente é um dos poucos momentos do dia que ela vai REALMENTE sentar. Nos primeiros dois segundos ela senta, sustenta a cabeça com as mãos e respira fundo, como se tivesse num momento de prazer único, de meditação, afinal de contas, ela está sentada e sozinha (o que não é normal). Se tudo der certo, ela vai fazer seu xixi e ainda dar uma atualizada nas suas redes sociais e e-mail pelo celular. Se as coisas não forem tão bem assim, ela vai sair correndo no meio do xixi porque a criança acabou de acordar e está gritando como se tivesse um monstro de 10 metros atacando, mas tudo bem, a gente é mãe, a gente faz xixi pela metade e sabemos que só depois de umas duas horas terminaremos esse proeza. Se bexiga cheia caísse, as mãe comprariam um terceiro sapato para deixar a bexiga junto do pés :)

A outra questão é o banho. É aqui que a gente pensa, às vezes, que está louca mesmo. No começo não arriscamos tomar banho quando não tem ninguém em casa para cuidar do bebê. Depois de um tempo colocamos o bebê conforto/cadeirinha na porta do banheiro e até arriscamos uma banho rápido (o que nem sempre dá certo). Depois decidimos que é melhor ter alguém em casa para cuidar da criança e assim podemos tomar um looongo banho de 10 minutos :/ . Só que começamos a alucinar: começamos a escutar choro de criança enquanto estamos no chuveiro, mesmo que o bebê esteja na casa da avó! hahahahah!! É ou não é?

Mãe passa perrengue, mãe passa por coisas que acha que outras mães não passam, mãe é tudo igual, só muda de endereço. As histórias de banheiro seguirão, porque são muitas, este é só o começo :) Alguém mais com histórias emocionantes no banheiro depois que os filhotes nasceram?

A Informação que afasta


Toneladas de informação, de todos as teorias, pensamentos, crenças, loucuras... ela está logo ali, no celular, no seu bolso. Não sabe como montar o armário que comprou online? em algum lugar da internet tem um vídeo mostrando. Quer arrumar a bicicleta que quebrou? Google e deu, está novinha. Faculdade, cursos, pós-graduação? Sim, até isso se faz online. A internet nos mostra um mundo de aprendizagem sem limites, tudo está ali na ponta de nossos dedos. Além disso existem os trezentos manuais de qualquer coisa que podemos comprar em qualquer lugar e ser especialistas de não sei o que. Nossa, agora sei tudo sobre isso! :/

A questão é que isso não funciona quando falamos de filhos (mas pode ajudar sim). Podes comprar todos os aplicativos e todos os livros que nada, nada, substitui o instinto de mãe e pai que qualquer bicho tem (apenas o bicho homem anda perdendo porque anda com a cabeça cheia demais para sentir a si mesmo).

O que quero dizer com isso? Tenho visto uma quantidade de pais enlouquecidos, lendo duzentos manuais sobre desenvolvimento do bebê, trezentos livros de como criar seu filho e milhões de blogs dizendo que se tu não fizeres estas "7 coisas" teu filho será "birrento" ou isso ou aquilo. Será mesmo que esse bombardeio de informação ajuda para educarmos e conhecermos nossos filhotes?  

Por um lado sim (claro que sim!), informação é super importante! Esclarece e acalma, ajuda a entender muitos processos que nós e nossos pitocos vivemos. Só que por outro lado não. O excesso de informação (como qualquer outro excesso) acaba inibindo nosso instinto, toda nossa capacidade de sentir e ver aquele serzinho como único, como nosso, como diferente de qualquer outro.

Alguns pensam que filho é como vestibular, quanto mais estudares, mais a chance de acertar todas as questões. Só que não. Filho não é concurso, não é vestibular, filho não é trabalho de conclusão. Filho é conexão, é cheiro, é contato, é olho no olho e muitas, MUITAS vezes filho é aquele que nos coloca no lugar do "não saber". E como é importante esse lugar quando somos pais, como é importante saber que não sabemos, quebrar nossa onipotência e aceitar que precisamos aprender, muito, com eles. Quando não estamos teorizados, o não saber traz lugar a escuta mais simples e mais linda: a escuta pura do nosso bebê.

As vezes, simplesmente, a gente não sabe... mas quando a gente começa a saber a partir do que eles nos trouxeram, é a conexão que foi feita, é o cheiro que foi dado, é o choro que foi entendido. São tentativas e erros que nos fazem pais, e para quem está aberto, o aprendizado começa antes do teste de gravidez dar positivo. Conecte-se com tudo, mas não deixe de usar todos os seus sentidos. 

Querido visitante nossa casa está bagunçada



Querido visitante nossa casa está bagunçada, provavelmente você encontrará um livro embaixo do sofá, roupas e fraldas por todos os lados, uns 10 potes plásticos espalhado pela sala e mil coisas fora do lugar. 

Por outro lado, querido visitante, você encontrará um pequeno de quase 2 anos feliz da vida, super esperto, alegre, dançando, correndo, pulando e achando bem engraçado tirar tudo do lugar, abrindo e revirando todas as gavetas, puxando toda pilha de roupa limpinha e recém dobrada, esticando o papel higiênico até o corredor e virando todas as caixas que estão pela frente. Sob minha visão e do pequeno, ele está explorando, conhecendo e se divertindo, já sob a visão de gente chata, ele está bagunçando. Ah, e muito provavelmente encontrarás uma xícara de café da manhã em qualquer lugar da casa, vez que outra esquecida por uma mãe que estava observando as travessuras de sua cria. 

Não, não é legal estar com a casa bagunçada e às vezes quase piro, mas isso é muito pequeno perto da alegria do meu filho, então resolvi respeitar o tempo dele, respeitar a maneira de explorar o mundo e a medida que ele vai desenvolvendo vamos fazendo bagunça e aprendendo a organizar também. Só que não tenho pressa, porque o tempo voa, ele está crescendo e eu quero aproveitar. Resolvi, então, parar de tentar organizar tudo (o que me deixava quase louca), porque para isso precisaria deixa-lo de lado, quietinho, sozinho, fora do meu olhar e não faria nenhum sentido ter escolhido "ficar em casa" para cria-lo se não fico com ele. 

Assim sendo, querido visitante, entenda uma coisa, não estou em casa para deixa-la um brinco, estou em casa para criar e educar meu filho e aproveitar o tempo (seja qual for) em família, e depois, aí sim, arrumar tudo que posso no pouco tempo que me sobra. Muitas vezes deixarei a louça esperando para poder sentar, conversar e brincar em família, esta é minha prioridade agora. Não quero ser uma mãe "presente ausente" então, quando encontrares aquela xícara de café pela metade no meu banheiro, ou aqueles 10 potes espalhados pela sala, olhe para meu filho e veja a alegria e o amor que essa criança transborda, e repense o que precisa estar organizado.