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Criar ou Educar?

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Sabe aqueles pais que dizem que é fácil criar filhos?

Eu nunca disse e não digo, porque educo, não apenas crio.

Não desisti de dar mamadeira porque ele não tomou a primeira vez, nem a quarta, nem a décima.Hoje ele toma.
Não desisti de dar nenhuma fruta ou verdura porque ele não comeu a primeira vez, bem a segunda, nem a sexta. Hoje ele come.
Não desisti nem dos quatro meses que ele rejeitou o brócolis que eu sempre colocava no pratinho, ali do lado. Hoje ele come.
Não coloquei açúcar em nenhuma fruta para ele aprender a comer, porque aí é desistir muito rápido.
Não desisti de mostrar para ele o mar e a delícia da água porque ele achou estranho no começo e não queria entrar. Hoje ele adora.
Não desisti de pega-lo no colo toda vez que ele chorava porque eu sei que o acalmaria e que era exatamente aquilo que estava precisando.
Não desisti e não desisto. Cansa? Cansa muito, mas o resultado está na minha frente, autonomia do meu pitoco cada dia maior!

Crianças cheias de "vontades"são, geralmente, crianças que os pais desistiram cedo demais.

Crianças têm seu próprio tempo, sabia? E respeitar isso é tarefa árdua porque é completamente diferente do nosso tempo. Conecte-se com seu filho e eduque. É trabalhoso agora, as eu garanto , é extremamente valioso e recompensador. Nossa maior tarefa é apresentar o mundo a eles, e reapresentar, e reapresentar até que ele, em seu tempo e a sua maneira, conecte-se com o novo. 

A Informação que afasta


Toneladas de informação, de todos as teorias, pensamentos, crenças, loucuras... ela está logo ali, no celular, no seu bolso. Não sabe como montar o armário que comprou online? em algum lugar da internet tem um vídeo mostrando. Quer arrumar a bicicleta que quebrou? Google e deu, está novinha. Faculdade, cursos, pós-graduação? Sim, até isso se faz online. A internet nos mostra um mundo de aprendizagem sem limites, tudo está ali na ponta de nossos dedos. Além disso existem os trezentos manuais de qualquer coisa que podemos comprar em qualquer lugar e ser especialistas de não sei o que. Nossa, agora sei tudo sobre isso! :/

A questão é que isso não funciona quando falamos de filhos (mas pode ajudar sim). Podes comprar todos os aplicativos e todos os livros que nada, nada, substitui o instinto de mãe e pai que qualquer bicho tem (apenas o bicho homem anda perdendo porque anda com a cabeça cheia demais para sentir a si mesmo).

O que quero dizer com isso? Tenho visto uma quantidade de pais enlouquecidos, lendo duzentos manuais sobre desenvolvimento do bebê, trezentos livros de como criar seu filho e milhões de blogs dizendo que se tu não fizeres estas "7 coisas" teu filho será "birrento" ou isso ou aquilo. Será mesmo que esse bombardeio de informação ajuda para educarmos e conhecermos nossos filhotes?  

Por um lado sim (claro que sim!), informação é super importante! Esclarece e acalma, ajuda a entender muitos processos que nós e nossos pitocos vivemos. Só que por outro lado não. O excesso de informação (como qualquer outro excesso) acaba inibindo nosso instinto, toda nossa capacidade de sentir e ver aquele serzinho como único, como nosso, como diferente de qualquer outro.

Alguns pensam que filho é como vestibular, quanto mais estudares, mais a chance de acertar todas as questões. Só que não. Filho não é concurso, não é vestibular, filho não é trabalho de conclusão. Filho é conexão, é cheiro, é contato, é olho no olho e muitas, MUITAS vezes filho é aquele que nos coloca no lugar do "não saber". E como é importante esse lugar quando somos pais, como é importante saber que não sabemos, quebrar nossa onipotência e aceitar que precisamos aprender, muito, com eles. Quando não estamos teorizados, o não saber traz lugar a escuta mais simples e mais linda: a escuta pura do nosso bebê.

As vezes, simplesmente, a gente não sabe... mas quando a gente começa a saber a partir do que eles nos trouxeram, é a conexão que foi feita, é o cheiro que foi dado, é o choro que foi entendido. São tentativas e erros que nos fazem pais, e para quem está aberto, o aprendizado começa antes do teste de gravidez dar positivo. Conecte-se com tudo, mas não deixe de usar todos os seus sentidos.