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A teoria do anti-colo e o tiro no pé



A teoria do anti-colo surgiu de uma sociedade com um modo de vida particular: Capitalista ao extremo, faminta por criar cabecinhas facilmente manipuláveis e fáceis de industrializar. Uma sociedade onde "ninguém precisa de ninguém", onde o isolamento é a melhor maneira de lidar com o mundo e os laços afetivos são frágeis: se as cabeças pensarem demais e se unirem, podem ir contra algo muito maior: o Poder daqueles que as comandam. Jogo de forças e a competição são constantes. Nada mais justo que uma teoria assim, correto? 

Já o colo continua sendo naturalmente usado em outras tantas sociedades, desde os primórdios do homem, sem causar problema algum à saúde. Pense nos índios, naquelas tribos africanas, pense em nós, nas crianças que conheces e que sempre tiveram colo: tá tudo bem, tudo tranquilo, coletividade, trocas, ajuda, autonomia rolando solta e em construção. Não existe problema algum em dar colo, fique tranquilo, tenho certeza disso. Pergunte aos psicólogos que conheces quantos pacientes estão em tratamento por excesso de colo e quantos pela falta dele, os números não metem. (confirmo)

O colo é parte do desenvolvimento humano, os bebês precisam da gente para conhecer o mundo. Eles precisam conhecer o aconchego para poder aconchegar e precisam aprender a acalmar para se acalmar. Eles precisam do contato corpora; para crescer porque isso faz parte do desenvolvimento da autonomia, segurança e do físico também. A autonomia é construída de fora para dentro e nós, pais, estamos na base dessa construção. 

Agora nunca esqueça que a maneira que você trata seu filho será a maneira que serás tratado por ele e, também, a maneira que ele tratará o mundo. As crianças aprendem rápido o que ensinamos. Um dia, talvez, você precise de seu filho e ele não estará lá, porque ele aprendeu que quando o outro precisa de ajuda, é melhor deixa-lo só. Você, então, estará sozinho e ele, provavelmente, também. Tiro no pé.

São dois caminhos e duas ideias, a escolha é nossa e a consequência também. Já ouviu a frase "colo de mãe/pai cura tudo"? Traduzindo: o colo nos fortalece e nos dá autonomia para enfrentar tudo na vida e sermos felizes com simplicidade. Assim sendo: Cura mesmo!

A Informação que afasta


Toneladas de informação, de todos as teorias, pensamentos, crenças, loucuras... ela está logo ali, no celular, no seu bolso. Não sabe como montar o armário que comprou online? em algum lugar da internet tem um vídeo mostrando. Quer arrumar a bicicleta que quebrou? Google e deu, está novinha. Faculdade, cursos, pós-graduação? Sim, até isso se faz online. A internet nos mostra um mundo de aprendizagem sem limites, tudo está ali na ponta de nossos dedos. Além disso existem os trezentos manuais de qualquer coisa que podemos comprar em qualquer lugar e ser especialistas de não sei o que. Nossa, agora sei tudo sobre isso! :/

A questão é que isso não funciona quando falamos de filhos (mas pode ajudar sim). Podes comprar todos os aplicativos e todos os livros que nada, nada, substitui o instinto de mãe e pai que qualquer bicho tem (apenas o bicho homem anda perdendo porque anda com a cabeça cheia demais para sentir a si mesmo).

O que quero dizer com isso? Tenho visto uma quantidade de pais enlouquecidos, lendo duzentos manuais sobre desenvolvimento do bebê, trezentos livros de como criar seu filho e milhões de blogs dizendo que se tu não fizeres estas "7 coisas" teu filho será "birrento" ou isso ou aquilo. Será mesmo que esse bombardeio de informação ajuda para educarmos e conhecermos nossos filhotes?  

Por um lado sim (claro que sim!), informação é super importante! Esclarece e acalma, ajuda a entender muitos processos que nós e nossos pitocos vivemos. Só que por outro lado não. O excesso de informação (como qualquer outro excesso) acaba inibindo nosso instinto, toda nossa capacidade de sentir e ver aquele serzinho como único, como nosso, como diferente de qualquer outro.

Alguns pensam que filho é como vestibular, quanto mais estudares, mais a chance de acertar todas as questões. Só que não. Filho não é concurso, não é vestibular, filho não é trabalho de conclusão. Filho é conexão, é cheiro, é contato, é olho no olho e muitas, MUITAS vezes filho é aquele que nos coloca no lugar do "não saber". E como é importante esse lugar quando somos pais, como é importante saber que não sabemos, quebrar nossa onipotência e aceitar que precisamos aprender, muito, com eles. Quando não estamos teorizados, o não saber traz lugar a escuta mais simples e mais linda: a escuta pura do nosso bebê.

As vezes, simplesmente, a gente não sabe... mas quando a gente começa a saber a partir do que eles nos trouxeram, é a conexão que foi feita, é o cheiro que foi dado, é o choro que foi entendido. São tentativas e erros que nos fazem pais, e para quem está aberto, o aprendizado começa antes do teste de gravidez dar positivo. Conecte-se com tudo, mas não deixe de usar todos os seus sentidos.